Tive a honra de entrevistar Felipe Grinnan, um dos maiores dubladores do Brasil com muitos anos de carreira, dublando grandes atores.
Em nossa conversa falamos sobre seu início de carreira, seu trabalho em Resident Evil Requiem, em que ele volta a dublar o amado personagem Leon e muito mais.
Confira a entrevista:
Marcel Botelho (Estação Nerd):
Hoje eu tenho o prazer de conversar com Felipe Grinnan, um dos maiores dubladores do Brasil. Felipe, muito obrigado pela entrevista, é um prazer falar com você.
Felipe Grinnan:
Eu que agradeço, Marcel. Pra mim é sempre um prazer falar do Leon, da minha carreira e divulgar a dublagem brasileira. Isso me faz muito feliz.
Início na dublagem
Marcel:
Como começou sua paixão pela dublagem e como foi o início da sua carreira?
Felipe:
Eu dublo há 31 anos. Já era ator formado e trabalhava em peças no Rio de Janeiro quando comecei a conviver com dubladores no teatro, principalmente em musicais. Foi ali que percebi que essa possibilidade existia.
A dubladora Elida L’Astorina me indicou para um curso de dublagem. Depois, fiz teste para uma peça dirigida por Newton da Matta, voz do Bruce Willis, e acabei conhecendo pessoas da Herbert Richers. A peça não aconteceu, mas recebi o convite para começar a dublar — e nunca mais parei. Aos poucos, a dublagem foi ocupando todo o meu tempo, e hoje são mais de três décadas dedicadas a isso.
Personagem mais icônico
Marcel:
Você dublou muitos personagens marcantes. Qual você acha que é o mais icônico para o público?
Felipe:
Para o público, sem dúvida, é o Marty, a zebra de Madagascar. É uma franquia muito popular, com filmes que marcaram gerações.
Às vezes eu digo que dublei Orlando Bloom, Jake Gyllenhaal ou Jude Law, e a pessoa não reconhece. Mas quando falo “a zebra do Madagascar”, todo mundo sabe (risos). Já são cerca de duas décadas com esse personagem no imaginário popular, então ele é garantia de reconhecimento.
O retorno como Leon
Marcel:
Você voltou a dublar o Leon em Resident Evil Requiem. Ele é um dos personagens mais amados dos games. Como foi retornar a esse papel?
Felipe:
O carinho dos fãs é enorme. Desde que gravei o jogo, há cerca de oito meses, recebo mensagens perguntando se eu voltaria como Leon. Eu não podia confirmar por contrato, então segurei até o último segundo.
Quando foi anunciado, foi emocionante. Os fãs criaram uma relação muito forte comigo no remake de Resident Evil 4. Eles queriam que fosse eu — e isso é lindo, mas também aumenta a responsabilidade.
Esse Leon está diferente: mais velho, mais sombrio, mais pesado. Ele tem 51 anos na história, a mesma idade que eu tinha quando gravei. É uma interpretação mais densa. Felizmente, os fãs compraram essa proposta e estão sendo muito carinhosos.
Atuar e cantar em Moulin Rouge
Marcel:
Você também é cantor e dublou o Ewan McGregor em Moulin Rouge!. Como é atuar e cantar ao mesmo tempo em um projeto assim?
Felipe:
A música sempre fez parte da minha vida. Fiz muitos musicais e fui backing vocal do Milton Nascimento por três anos, viajando pelo Brasil. Inclusive cantamos para 100 mil pessoas no Parque Ibirapuera.
Na dublagem, cantar é ainda mais desafiador, porque você precisa encaixar na boca do ator. Mas eu amo musical. Gosto dessa licença poética de transformar emoções em música. Para mim, atuar cantando é algo muito especial.
Dublando Adrien Brody
Marcel:
Você dublou uma performance vencedora do Oscar de Adrien Brody em O Brutalista. Como funciona a escolha do dublador em casos assim?
Felipe:
Em filmes muito importantes, o cliente pode pedir testes com diferentes dubladores. Como eu já dublo o Adrien Brody desde 1999 — são quase três décadas e cerca de 30 projetos — o estúdio me indicou e o cliente aprovou.
Mesmo assim, a responsabilidade é enorme. No filme, ele usa sotaque polonês, e tivemos um professor no estúdio para me orientar. Foi um trabalho minucioso, de três dias intensos de gravação. Quando ele ganhou o Oscar, eu me senti parte disso também. Foi muito especial.
Trabalhos recentes e versatilidade
Marcel:
E sobre seus trabalhos recentes e próximos projetos?
Felipe:
Os futuros eu não posso comentar por contrato (risos). Mas estreou recentemente a série Heated Rivalry, que é um grande sucesso internacional. Eu faço um dos personagens e é um trabalho bem diferente do Leon.
Gosto de buscar vozes distintas para cada personagem — o Leon tem uma pegada mais arranhada e pesada; já em “Heated Rivalry” há mais suavidade. O Marty é completamente diferente. Também faço o Homem-Aranha em animações e o Whis de Dragon Ball Super. Essa versatilidade é algo que me move.
Quem quiser acompanhar meu trabalho pode me seguir nas redes sociais: @felipegrinnan, com dois N’s. Sempre posto novidades e bastidores. Tem muita coisa boa chegando.
Marcel:
Felipe, muito obrigado pelo carinho e pela entrevista. Parabéns pelo trabalho!
Felipe:
Eu que agradeço, Marcel. Fico muito feliz com o reconhecimento e com o carinho dos fãs. Obrigado mesmo!


