
Devoradores de Estrelas é um ótimo exemplo de um filme honestamente espirituoso. Os dois diretores, Phil Lord e Christopher Miller, imprimem de uma maneira graciosa seu estilo de direção feito nas animações e passado de uma maneira sagaz em um Live Action. Tanto alguns trejeitos, estilo de câmera, a fluidez de diálogos, tal qual uma animação, aqui chega a ser cativante o destaque com seu protagonista.
O professor de ciências Ryland Grace acorda em uma nave espacial sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou lá. Conforme sua memória retorna lentamente, ele logo descobre que deve resolver o enigma por trás de uma misteriosa substância que está fazendo o sol se apagar.
O longa parece esquisito ao seu início por conta de não sabemos o que esperar da jornada, mas vai ganhando o público conforme os acontecimentos e principalmente a amizade é construída. A postura do protagonista, Grace, interpretado por Ryan Gosling, revela muito bem o tom do filme ao longo de quase toda a aventura. É uma mistura de algo bobo, inteligente e sincero quanto aos objetivos impostos aqui. Lembra bastante um “Interstelar“, tanto no objetivo quanto na consequência em si para o mundo. Mas de uma maneira simpática, ele vai estabelecendo seu universo.

O principal coração fica por conta da amizade entre Grave e Rocky, muito bem estabelecida, a criatividade começa pela construção do alienígena, uma figura longe do óbvio, e apesar de algumas semelhanças com uma rocha (não à toa o nome), ele estabelece uma criatura extremamente carismática. O conceito da nave já é curioso por si só, algo bastante surreal e bonito, sem um formato exato além das linhas.
O visual cria um grande capricho ao unir a questão tecnológica do filme, e todo um capricho visual que dispensa comentários. E tudo isso, casado com todo um manejo de inserir trejeitos e situações beirando estilos de animações e uma pegada mais leve quanto às situações, apesar de todo o perigo envolvido.
E talvez, um dos melhores papéis de Gosling, apelando mais para o seu lado cômico e leve, puxando mais o que ele entregou em Barbie e demonstrando uma leveza e talento orgânico para a comédia/ficção científica. Toda a questão dele ser um professor e a ideia de ir escalando de maneira imprevisível seu destino e missão absurda de salvar o planeta, e mesmo assim manter uma simplicidade e inocência que só conquista mais e mais.
Apesar de possuir um final quase que eterno, não sabendo escolher o momento certo de fechar a obra, causando alguns vários desfechos em seus vários finais, Devoradores de Estrelas é uma ótima surpresa de 2026 e conforme uma animação, ele vai te conquistando conforme a jornada avança e a amizade improvável é alcançada. Quando você menos esperar, vai se ver emocionado com um ser humano e uma rocha alienígena conversando. Os professores vão salvar o mundo mesmo.


