O que é o amor? Esse sentimento seria um impulso biológico, uma construção social ou uma virtude cultivada? De Platão a Zygmunt Bauman, o tema já foi discutido e descrito de diversas maneiras. O amor já foi definido como desejo, uma idealização e até uma fragilidade contemporânea. O Drama, filme dirigido por Kristoffer Borgli (O Homem dos Sonhos), resolve usar o tema como fio narrativo de uma criativa e surpreendente história.
O roteiro escrito pelo diretor usa o primeiro ato do filme para construir de modo cirúrgico o casal perfeito. Vemos uma harmonia que beira o ideal: olhares repletos de cumplicidade, intimidade inabalável, vemos o romance dos sonhos. Borgli, usa o talento de seu casal para construir uma relação inabalável. Mas ele está preste a ruir. Em uma cena simples, vemos como o passado pode destruir uma relação.

O texto introduz uma revelação que muda completamente o eixo da narrativa e transforma a revelação em consequência devastadora, não em um espetáculo vazio, como outros diretores poderiam apostar suas fichas. A partir daí qualquer ideia de romance é abandonado e vemos a produção se tornar um thriller sufocante de paranoia e desconfiança. Cada diálogo passa a carregar um subtexto ameaçador; cada silêncio, um abismo entre os personagens centrais.
Zendaya (Duna) entrega aqui uma performance memorável. Sua personagem oscila entre vulnerabilidade e um vazio indescritível, o que impede do espectador entender suas motivações por completo. Já Robert Pattinson (Batman) constrói um arco emocional devastador: seu personagem passa da segurança amorosa à completa desintegração psicológica. As cenas onde ele se vê com sua amada, imaginando o futuro são incrivelmente desconfortáveis.
A direção de Borgli reforça esse colapso interno com escolhas inteligentes. A câmera, inicialmente estável e observadora, torna-se cada vez mais intrusiva. A montagem fragmentada, reforça a sensação de que algo está errado e reflete com perfeição o estado mental dos personagens. Além disso, em diversos momentos vemos barulhos, imagens que fazem menção a brutal revelação, o que amplifica a sensação de que algo de terrível está para acontecer.

O Drama é uma produção que vem com a proposta de examinar o que entendemos como amor e no fim, não apresenta respostas fáceis, tampouco redenção. Mas sim, um estudo brutal e visceral sobre confiança e sobre a ausência dela em uma relação a dois. Afinal de contas, amar também é conviver com o desconhecido.


