Em Velhos Bandidos, um casal de idosos aposentados se junta a jovens parceiros para planejar um audacioso roubo a banco, enquanto tenta despistar um detetive determinado a impedi-los.
O filme dirigido por Cláudio Torres, aposta alto no talento e carisma do seu elenco. Tendo seus melhores momentos graças a ele. A química entre eles é ótima e o quarteto dá um show de atuação, com o material fornecido, a participação especial de diversos atores conhecidos da TV e outro destaque.

O longa constrói uma narrativa mais sobre os planos de como fazer o assalto, do que sobre o ato em si. Para isso, o texto aposta em um humor inocente, quase ingênuo, e desenvolve situações leves onde os personagens de Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta e Bruna Marquezine se divertem. Mas as situações criadas para o plano do assalto nunca chegam a desafiar de fato o espectador. Todos os personagens são pessoas nobres, pessoas de bom coração que acabaram cometendo atos moralmente questionáveis, por serem vitimas do acaso. Isso é algo que tira um peso da narrativa, pois o papel de vilão invisível da trama acaba sendo atribuído ao sistema que existe na sociedade.
A história parece mais interessada em justificar as atitudes dos personagens, do que explorar conflitos mais complexos ou consequências dramáticas. O que enfraquece demais a narrativa e faz o interesse do espectador diminuir.

Dentro do subgênero de filmes de assalto se tem normalmente situações que geram tensão, reviravoltas e sequências mais eletrizantes. Mas a direção de Cláudio Torres, deixa a desejar nesse quesito filmando os trechos de ação sem muito dinamismo e inventividade.
Velhos Bandidos é uma experiência agridoce. Por um lado, há o prazer inegável de ver um elenco tão carismático em cena, especialmente a dupla Fernanda Montenegro e Ary Fontoura. Por outro, fica a sensação de o filme se contentou em fazer apenas com o básico, o que acaba decepcionando.


