A Mensageira parte de uma premissa curiosa: uma garotinha consegue se comunicar com animaizinhos vivos ou mortos e seus pais enxergam nela uma oportunidade de lucrar financeiramente através de consultas feitas a pessoas que desejam se comunicar com seus pets. Eles percorrem a zona rural Argentina, levando a menina para várias cidadezinhas, onde ela realiza sessões, que a deixam visivelmente esgotada.
O bonito cenário rural, que serve como plano de fundo dessa road trip, é filmado em preto e branco, conferindo-lhe uma certa atemporalidade esteticamente interessante. O diretor, Iván Fund, contempla a vastidão das paisagens naturais que cercam seus personagens itinerantes. O mesmo olhar contemplativo também observa as interações entre essa peculiar família. Apesar de explorada, a menina encontra alegria nos pequenos momentos com seus genitores ou quando visita a irmã que se encontra em situações ainda menos ideias

Essas interações humanas, retratadas com tanto carinho, pela ótica de uma criança, são as passagens mais valiosas do longa, e por sorte, o diretor percebe isso e preenche a maior parte do tempo com elas. Por outro lado, o dom da menina em si – que seria o grande diferencial desse filme – é pouco e mal aproveitado. As cenas em que ela se comunica com os animais são repetitivas e não vão além do conceito incialmente proposto, deixando essas sequências com cara de mais do mesmo. As ideias minimamente originais se esgotam rapidamente e não dão conta de ocupar o pouco tempo do filme (aproximadamente noventa minutos), que acaba se tornando mais um drama familiar sentimentalista, que até consegue ser tocante, porém pouco memorável.
Até a trilha sonora bastante marcante passa a soar repetitiva quando é utilizada da mesma forma, nas mesmas situações, tentando evocar os mesmos sentimentos, sem necessariamente passar uma ideia de ciclo ou reforço de ideias, apenas a falta delas. O propósito das recorrências não é comunicar algo, é tentar esticar o filme para que tenha a duração de um longa-metragem, sem chegar a torna-lo cansativo, porque tem o bom-senso de acabar antes disso.


