Na Nova York do final da década de 90, um homem gay não assumido lida com o peso da vida dupla que leva: como policial ele trabalha prendendo seus semelhantes que são vistos como pervertidos sexuais, em sua vida privada deseja outros homens em silêncio, sem saber lidar com esses sentimentos que foi ensinado a rejeitar. O título do filme funciona em duas vertentes, a literal: ele é um policial à paisana; e a metafórica: é também um homossexual “à paisana”, sempre escondido, por vezes até de si mesmo.
Apesar de morar em uma cidade minimamente progressista, durante uma época já não tão conservadora, sua família tradicional e seu ambiente laborativo ultra macho, reforçam preconceitos que o mantém em um armário de trancas mentais. A dupla culpa que carrega pelos desejos que sente e por perseguir aqueles que sentem esses mesmos desejos, se torna tão pesada a ponto de culminar em ataques ansiogênicos silenciosos. Seu emocional, já abalado por uma tragédia familiar que antecede os eventos do filme, é uma panela de pressão prestes a explodir. A coceira nos pulsos é a manifestação física da dor invisível que o acompanha a cada prisão, a cada encontro romântico, a cada jantar familiar, a cada tentativa de se reconectar com sua parceira que ele tanto ama, mas não da forma que acha que deveria.

Suas visões e flashbacks são filmadas da mesma forma que os vídeos usados pelos policiais nas prisões do banheiro do shopping. Uma decisão criativa que reforça o senso estético do projeto, ao mesmo tempo que cumpre uma função narrativa de refletir o estado mental daquele homem atormentado pelo seu cotidiano. O granulado das gravações não só embeleza a imagem, como serve para transmitir a crueza do pensamento. Há também algo intrinsecamente voyeur na atividade policial de filmar os suspeitos em um momento tão íntimo.
Uma paixão inesperada desperta-lhe algo dentro dele, o começo do “relacionamento” é marcado por um encontro furtivo em um cinema suntuoso e depois em um esconderijo entre as flores. Na beleza do local, seguro nos braços de seu objeto de afeto, ele se permite fantasiar com idas a São Francisco, em busca de uma realidade menos opressora. Sonhos não concretizados se transformam em frustrações que, por sua vez, se traduzem em atitudes impulsivas, afetando mais de uma pessoa a sua volta. Quando finalmente esse furacão de emoções derruba o castelo de cartas guardião dos segredos, a exposição forçada vira liberdade.
Plainclothes – Official Trailer | Starring Tom Blyth and Russell Tovey | In Theaters September 19


