Sete anos depois do sucesso de bilheteria e público, ‘Casamento Sangrento: A Viúva’ continua os acontecimentos de Grace MacCaulley após o seu primeiro casamento ser um completo caos (para dizer o mínimo). A equipe técnica retornou para a sequência, incluindo os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, os roteiristas Guy Busick e R. Christopher Murphy e o diretor de fotografia Brett Jutkiewicz. O primeiro filme, ‘Casamento Sangrento: A Noiva’ (2019), foi um sucesso pela forma como misturou terror e comédia, tendo uma bilheteria quase dez vezes maior que o seu orçamento e sendo aclamado na crítica.
Logo após o seu primeiro casamento dar errado, Grace MacCaulley (interpretada por Samara Weaving) acaba reencontrando sua irmã, Faith (interpretada por Kathryn Newton) e, juntas, precisam sobreviver até o amanhecer novamente contra uma seita satânica.
Existe uma questão importante hoje em Hollywood sobre a falta de senso de humor. Cada vez mais assistimos filmes que tentam se levar a sério demais. Histórias explicadas de forma exagerada, relações forçadas, cenas que compõem o filme apenas para cumprir tabela, como se todas as histórias precisassem de uma explicação ou de um porquê imediato e desenhado, subestimando a inteligência do público. Nessa saturação dessas explicações exageradas, uma obra como a de Bettinelli-Olpin e Gillett é mais que bem-vinda pois justamente, em certa medida, ironiza com tudo isso. Existe uma força nos cenários e nos enquadramentos, especialmente quando o filme se volta para filmar o conselho e seus membros, sempre de uma visão de grandeza, com planos dos personagens maiores em tela, com toda a mansão onde ocorre o “grande jogo” sendo filmada de longe e seus locais grandiosos. Ao mesmo tempo, tudo isso acaba sendo ironizado, seja por um portão que não abre, um carrinho de golfe lento ou um casamento satânico que termina em uma “caça ao tesouro”.

A decupagem e a fotografia em geral seguem as ideias do primeiro filme, com a exceção de que agora temos uma nova relação, a de irmãs. Com isto, acaba trazendo um drama que precisa ser desenvolvido a mais, ser apresentado e explorado do passado da protagonista, mas isso nunca é apresentado de uma forma expositiva puramente, mas dentro de uma lógica de sobrevivência. É bem inevitável não lembrar de dinâmicas como as de ‘Jogos Vorazes’, já que Grace e Faith estão como presas em uma armadilha e sendo perseguidas. E, dentre todas essas prioridades, a decupagem acaba equilibrando bem os gêneros e os dramas de cada personagem naquele contexto, brincando até com a metalinguagem em diversos momentos, com os sucessores das famílias ricas assistindo todo o grande jogo e reagindo como se fossem nós, espectadores, na sala de cinema. Essas transições entre momentos mais cômicos e momentos mais dramáticos acontece sempre dentro desse jogo de apresentar a superioridade daquele universo, mostrar a nobreza daquilo tudo, ao mesmo tempo que os diálogos e as situações são tolas. O ponto alto dessa relação é no casamento do segmento final, em que é um ritual extenso e performático, mas que Grace age como se fosse uma brincadeira (com sangue) com amigos. Tudo bem equilibrado, como deve ser.
‘Casamento Sangrento: A Viúva’ mantém as melhores qualidades do filme anterior, com um humor criativo em meio a uma “caça ao tesouro” megalomaníaca em busca da morte. Ainda assim, o filme concilia com o terror e o drama, enquanto mantém uma exaltação por aquele universo, ao mesmo tempo que o quer apenas tirar onda com ele.


