Cinco Tipos de Medo, suspense policial brasileiro dirigido por Bruno Bini (Loop), narra o encontro de vidas em Cuiabá: Murilo, um músico em luto, se envolve com Marlene, enfermeira presa a um relacionamento tóxico com Sapinho, um traficante-chefe local. Com a prisão de Sapinho pela policial vingativa Luciana e a entrada de um advogado misterioso, os personagens colidem em uma trama de escolhas perigosas e intensas.
A direção aposta em uma narrativa fragmentada para costurar destinos que, à primeira vista, parecem distantes, mas inevitavelmente colidem. A estrutura não linear desta narrativa funciona como um quebra-cabeça emocional. Aos poucos vamos entendendo as conexões entre os personagens centrais da história. Esse suspense sobre as intenções de cada um dos personagens é conduzido com inteligência pelo roteiro escrito por Bini e pelo talentoso elenco. O texto aborda diversas feridas sociais e abordagem é crua, direta e, em muitos momentos, desconfortável.

A química entre eles é incrível. João Vitor Silva (O Agente Secreto) entrega um protagonista contido, cuja dor se manifesta mais nos silêncios do que nas palavras. Bella Campos (Vale Tudo) imprime camadas à sua Marlene, evitando cair em estereótipos fáceis e encanta. Já Bárbara Colen (Bacurau) sustenta uma presença magnética, guiada por uma fúria interna que nunca explode completamente, mas está sempre prestes a transbordar. Por fim, Xamã (Maníaco do Parque) entrega um papel ambivalente, onde interpreta um traficante ameaçador e benfeitor.
A montagem é o elemento narrativo mais importante dessa produção. O vai e vem temporal não surge em tela apenas como recurso estilístico. Pelo contrário, aqui ele é a espinha dorsal da narrativa. Em cada cena vemos algo que só terá seu desfecho revelado em um momento posterior e isso gera uma grande tensão no espectador.

Se existe um ponto fraco na produção ele surge nas cenas de ação, especialmente nos tiroteios. Essas sequências destoam do restante do filme, que brilha nos momentos mais íntimos e psicológicos. Os tiroteios carecem de impacto visual e não agregam um peso dramático relevante.
Cinco Tipos de Medo chega com a força e não quer apenas contar uma história, o filme dirigido por Bruno Bini quer provocar, incomodar e deixar marcas no espectador ao abordar questões sociais como a violência urbana, relações abusivas, luto e corrupção moral. Um filme incrível, que faz jus aos prêmios que recebeu no Festival de Gramado. Assista o quanto antes!


