Depois de ter sido lançado durante a pandemia e sendo bem recebido, ‘Destruição Final’ retorna para mais um capítulo da história da família Garrity em um mundo apocalíptico. Seis anos depois, o novo filme chega aos cinemas e prometendo mais ação e efeitos visuais. O diretor é o mesmo do primeiro filme e retorna aqui, Ric Roman Waugh, conhecido também por filmes como ‘Sem Perdão’ (2017), ‘Invasão ao Serviço Secreto’ (2019) e ‘Missão de Sobrevivência’ (2023), com vários deles também em parceria com Gerard Butler, que é o protagonista em grande parte.
Cinco anos após o cometa Clarke atingir e destruir boa parte da vida terrestre, John (interpretado por Gerard Butler), Allison (interpretada por Morena Baccarin) e Nathan (interpretado por Roman Griffin Davis) precisam, novamente, enfrentar inúmeros desafios para encontrar um lugar seguro e tentar recomeçar suas vidas.
O diretor estabeleceu já no primeiro filme, lançado durante a pandemia, o ritmo e uma dinâmica da narrativa de se levar a partir de uma sucessão de situações frenéticas. E o que fazia a catástrofe funcionar não era propriamente os momentos de explosão de um cometa ou alguma cena recheada de efeitos especiais, mas justamente o drama daquela situação e aquela situação, era uma câmera que não ficava quieta e a decupagem era sufocante pois não deixava aquela família em paz. Neste segundo filme, ainda segue essa lógica, ainda que em um contexto diferente. Acho que Ric Roman consegue manter a mesma “fórmula” do primeiro mesmo com um enredo diferente, são mais cenas de suspense e mais uso do CGI, ainda que nitidamente esteja mais limitado. Neste filme, porém, os elementos não são tão estéticos quanto no primeiro por uma escolha mais emocional de tudo. Algumas escolhas com elementos do nosso tempo, como o isolamento ocasionado pelo tempo no bunker na Groenlândia e o paralelo com a pandemia de Covid-19, também deixam a relação mais humana ainda.

Se no primeiro filme a fotografia era bem definida e com as cores bem mais escrachadas, na continuação parece uma tentativa mais “limpa” de tratar aquela história. Os efeitos especiais, também, eram muito mais caricatos no primeiro filme e aqui parecem melhores tecnicamente, justamente nessa busca por um realismo, deixar aquela história mais “humana”. E é uma visão interessante pois é uma mudança de rumo, é um novo mundo pós-apocalíptico, são pessoas tentando recomeçar suas vidas e buscando um caminho para isto. Não acredito que tenha o mesmo impacto que o primeiro, no sentido de resolver as coisas com um único plano, de limitar os diálogos para apenas o desespero, a gritaria e o socorro, existem mais personagens e mais relações para tratar aqui, mas ainda assim são facilmente descartáveis (no bom sentido) para não deixar a narrativa presa. Afinal, aquele mundo antigo que eles viviam se foi, é um novo mundo, todos ali apenas estão tentando sobreviver, suas relações, assim como os seus sonhos e objetivos são passageiros, assim como cada “missão” que eles precisam enfrentar para seguir caminhando e lutando para alcançar o objetivo final e tentar um recomeço. Se mantém uma lógica de caos frenético a partir do senso de urgência, mas com um desenvolvimento mais humano. O caos no meio do amor. Se no primeiro filme a família estava partida e precisava se conectar, assim como o resto do mundo em meio ao apocalipse, aqui tudo precisa ser adaptado o mais rápido possível para manter a esperança viva, tudo isso em meio ao amor, seja do pai com o filho, da esposa com o marido, ou do filho com as estrelas. Ainda que existam algumas outras camadas que, aí sim, acabam só atrasando e travando a progressão dessa ideia estilística, como a metáfora bíblica e o lado político.
‘Destruição Final 2’ mantém a relação caótica e frenética do primeiro filme, adaptando sua ideia adicionando um teor emocional forte que acaba se encaixando em um mundo que precisa ser reconstruído e uma vida de uma família que precisa ser recomeçada. Funciona bem como um filme catástrofe, igual ao seu antecessor, mas ainda acrescenta o lado humano daqueles personagens dentro de um sistema de situações urgentes.


