dom, 5 abril 2026

Crítica | Mother’s Baby

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Em Mother’s Baby, acompanhamos Julia (Maria Leuenberg) uma maestra bem-sucedida de 40 anos que, após realizar um procedimento médico em uma clínica provada de renome, consegue engravidar. Os planos, porém, não correm como o esperado durante o parto e o bebê é levado para longe dos pais para ser tratado. Sem notícias sobre o estado de saúde do filho nem o que de fato aconteceu, quando Julia se reúne com o bebê, ela não se sente confortável com a situação, sentindo certo distanciamento com o recém-nascido e desconfiando que ele não é seu.

Elaborar uma narrativa que se concentrar em explorar fases, quer seja do luto, de uma depressão, vingança e qualquer outro sentimento ou condição litigiosa que gera a deterioração mental do personagem em cena, é um árduo trabalho quando se há uma necessidade de expor temáticas sensíveis e estabelecer uma conversa aprofundada com o publico que se identifica com os conteúdos, ainda mais quando esses abordam terrores particulares enfrentados por mulheres durante e após a gravidez. Um dos maiores exemplos disso, claramente, é O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby).

Há semelhanças entre a longa-metragem alemão Mother’s Baby, que estreia no dia 05 de março nos cinemas brasileiros, e o clássico atemporal de Roman Polanski na temática forte dos transtornos puerperais explorada em ambos os filmes, assim como no silêncio e a calmaria que servem como catalisadores para o medo e a angústia, ou até mesmo nas fontes semelhantes utilizadas no títuloem seus respectivos cartazes oficiais. Porém, as questões envolvendo medos, maternidade e ansiedade do filme dirigido e escrito por Johhana Moder (High Performance) são capazes de caracterizar Mother’s Baby como uma experiência aterrorizante, tanto para o público no modo geral, quanto para aquele específico com quem o filme estabelece um diálogo e compreende suas dores. Co-escrito por Arne Kohlweyer, o roteiro sutilmente explora a psiquê de sua protagonista desde o início, se aprofundando na sua questão psicológica ao longo da projeção de maneira sublimemente detalhista e sensível ao, a partir do segundo ato, abraçar a intensidade da situação e suscitar uma linguagem mais voltada para um terror psicológico de qualidade.

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Imagem: Filmladen/Reprodução

A indiferença de personagens dentro do círculo de relacionamentos da protagonista Julia quanto ao seu suposto deterioramento mental é construída gradativamente, podendo ser encarada por alguns como lenta ou até repetitiva, o que não condiz com a verdade, já que o filme possui um ritmo certo para equilibrar todas as suas emoções e exposições sobre a sua temática. O clássico personagem do marido desinteressado nas dores na esposa, interpretado por Hans Löw, é um exemplo da maléfica falta de empatia como também um reflexo da ingenuidade e deslumbramento; afinal, Georg desconhece as dores psicológicas do pós-parto, já que, à princípio, ele se demonstrava um companheiro atencioso para Julia antes e durante o processo dela dar a luz. Da lado médico, temos o frio e convincente Dr. Vilfort e a prestativa e suspeita parteira Gerline, – interpretados com excelência por Claes Bang e Julia Franz Ritchter, respectivamente – como melhores referências de antagonismo duvidoso, já que toda a teoria da conspiração elaborada por Julia passa a fazer sentido para o público.

Com título e situações inspiradas em um ditado popular conhecido como “mother’s baby, father’s maybe” (ou “mama’s baby, papa’s maybe”), usado para gerar dúvidas sobre a paternidade de uma criança, Mother’s Baby é, na verdade, um exercício de dúvida sobre a identidade do recém-nascido por parte da mãe. O longa é formalmente mais complexo do que se aparenta, ainda mais por fazer jogos entre o atordoante silêncio em momentos de dúvida e dor e a música estridente em sequências onde a protagonista Julia, que é maestra de uma orquestra, encontra no trabalho um certo alívio para seus pensamentos discutíveis. Sutilezas em detalhes elaborados pela escrita e direção sobre o comportamento do bebê, que despertam ainda mais a incerteza da mãe, elevam a tensão e fazem com que o expectador se pergunte, juntamente com a personagem da exímia Maria Leuenberg, se tudo aquilo é normal ou se são efeitos de uma deterioração mental. A fotografia capta uma atmosfera fria, pesada, que consegue, através de jogos de sombra e luz, elaborar imagens pictóricas que esbanjam melancolia.

Imagem: Filmladen/Reprodução

Provido de grandes atuações, trama repleta de camadas, sensibilidade e uma forma competente de se fazer um suspense psicológico de primeira minha, Mother’s Baby nos impressiona e mexe com o emocional, principalmente de quem já viveu situações conflitantes que se assemelham as que são mostradas em cena.

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