Baseado na tragédia real de Camp Fire, que aconteceu na Califórnia em 2018, O Ônibus Perdido (The Lost Bus) é um thriller que narra a luta desesperada de um motorista de ônibus e uma professora para salvar 22 crianças em meio ao incêndio mais mortal do Estado.
A personalidade de um notável longa-metragem de gênero está em todo esforço realizado para levar sua boa ideia para as telonas, quer seja este mínimo ou máximo. O subgênero do filmes-catástrofe, geralmente mergulhados em um drama de ação que irá extrair grande parte do emocional de um público mais deslumbrado, na maioria das vezes não mede esforços para despertar sentimentos ou, de fato, conquistar com momentos eletrizantes e fazer pulsar o coração do público em momentos impossíveis de se dispersar da tela. O ritmo torna-se movido a cinética, a emoção se assemelha a um teste cardíaco e, ao mesmo tempo, as considerações quanto a ao roteiro escorregadio e escolhas narrativas que poderiam ter sido melhor trabalhadas, exigidas por qualquer pessoa que leve o entretenimento cinematográfico a sério, tornam-se quase meras trivialidades. Quando um longa, ainda mais que seja baseado em um acontecimento real, pouco desperta no público além de exageradas 2 horas e 10 minutos de tédio disfarçados com bons efeitos visuais e cenas de ação minimamente intensas, há um problema como vemos em O Ônibus Perdido (The Lost Bus), produção da AppleTV+ que aparece de penetra na categoria de Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2026.
Centrado nas desinteressantes histórias de seus protagonistas, o motorista Kevin McKay e a professora Mary Ludwig, que contam com o privilégio de serem interpretados por Matthew McConaughey e America Ferrera, O Ônibus Perdido é uma típica produção que ostenta de um contexto de grande relevância, mas não usa a história a seu favor, uma vez que o roteiro dispersado de Brad Igelsby e Paul Greengrass, que tem como base o livro “Paradise: One Town’s Struggle to Survive an American Wildfire” (Lizzie Johnson) e os fatídicos eventos que ocorreram em 2018, não ousa explorar a urgência das situações apresentadas e escolhe focar na falha tentativa de fazer o público sentir empatia pelo personagens centrais, não pelo seus gloriosos atos de heroísmo, mas pelos dramas pessoais enfrentados por estes, principalmente pelo motorista McKay. Logo no início da trama, é mostrando o quão a vida tem sido injusta para o homem, que teve que sacrificar seu cachorro, cuidar da mãe doente, enfrentar a rebeldia do filho adolescente e implorar por melhores condições de trabalho, tudo sob uma ótica e uma narrativa que não possuem o mínimo de interesse em explorar esse drama sem obrigatoriamente mergulhar no clichê e na superficialidade.

O roteiro de O Ônibus Perdido ainda erra na tentativa de aprofundar o drama de toda a operação de prevenção de um maior alastramento do incêndio e do socorro de vítimas. No filme, toda a cidade parece entrar em consenso para, convenientemente, confundir urgência com prioridade em situações que se tornam pífias, como o próprio falho resgate prioritário de crianças em escolas nas proximidades do foco do incêndio. Outras situações, como a que uma equipe de salvamento reduzida se vê encarregada de retirar moradores de uma área de clareira de suas casas, são mostradas em retalhos ao longo da trama, como se estivessem preenchendo espaços vazios ou, de forma insustentável, preencher o projeto com mais carga dramática.
O maior triunfo de O Ônibus Perdido está realmente na construção de seus efeitos visuais, que misturam uma bem arquitetada e operada pirotecnia com recursos computadorizados, cujo o desenho de produção fora realizado com detalhismos, gerando um realismo ímpar para intensificar a imersão e a sensação de calor. Atrelado aos efeitos, o diretor Paul Greengrass demonstra uma habilidade ágil na realização de sequências de ação intensas e sufocantes em determinados momentos. No entanto, nada que a equipe de O Ônibus Perdido fez aqui é necessariamente uma grande novidade. Não há efeitos ruins ou medianos no filme, muito pelo contrário, só não há particularidades.

Matthew McConaughey e America Ferrera não erram ao representar esforçadamente seus personagens desprovidos de algo interessante, trazendo uma urgência necessária, e que, provavelmente, havia sido esquecida pelo roteiro, para a ocasião. O elenco também é composto por Yul Vazquez, Ashlie Atkinson e Mary Kathlene McCabe, que é mãe de McConaughey na ficção e na vida real.
Desprovido de emoção e personalidade, O Ônibus Perdido é morno e ostenta o infortúnio de se encaixar na categoria de filmes-catástrofe sustentados pelos bons efeitos visuais.


