dom, 5 abril 2026

Crítica | O Refúgio

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Ambientado nas paradisíacas praias do caribe, no ano dd 1846, O Refúgio (The Bluff) acompanha Ercell (Priyanka Chopra) uma mulher que deixou a identidade da temível bucaneira Maria Sanguinária para trás. A paz de espírito e o abrigo que ela construiu para si e para a família ao longo desses anos, porém, é ameaçado quando seu antigo capitão e parceiro, Connor (Karl Urban), retorna em busca de vingança.

É perceptível quando uma produção é desenvolvida para preencher requisitos contratuais, principalmente quando o conteúdo em questão é realizado para integrar o catálogo algorítmico de um streaming. No entanto, existem filmes e séries produzidos a partir dessas condições que desempenham um razoável resultado, seja nos caprichos visuais e técnicos, ou no comprometimento dos atores em cena e na construção de seus personagens. O Refúgio (The Bluff), é uma tentativa mais que atrapalhada da Prime Video de fazer um épico de ação envolvendo piratas, caça ao tesouro e vingança, sem qualquer esmero formal ou narrativo, que se apoia unicamente no esforço dos atores principais que se veem ilhados por tanta falta de comprometimento da produção para com o projeto.

Imagem: Prime Video

A ideia está longe de ser discutível. Colocar uma pirata durona protegendo a família dentro de uma ilha cercada de inimigos vingativos poderia minimamente funcionar se o roteiro e a direção de Frank E. Flowers se comprometesse com o argumento. Preso a conveniências e exposições que descartam qualquer possibilidade de se criar um misterioso em torno da protagonista – já que a sua verdadeira identidade é logo revelada e constantemente lembrada pelos personagens, que mais parecem justificar a todo instante a motivação de sua violência – O Refúgio falha como narrativa e ainda mais na forma como ela é conduzida. Repleto de diálogos sofríveis e frases de efeito dignas de uma enquete de humor, o filme surpreendentemente parece se esforçar para que não tenhamos apreço por qualquer personagem ou situação. De tão expositiva, a história da protagonista Ercell passa a não importar, assim como sua relação morna com o filho doente Issac (Vedanten Naidoo) ou com a cunhada Elizabeth (Safia Oakley-Green), ou sua missão de resgatar o marido (Ismael Cruz Cordova). A história do capitão Connor também se torna desinteressante quando sua vingança torna-se uma obsessão movida pelo ego. O personagem de Temuera Morrisson, Imediato Lee, nada acrescenta à trama, além de uma tentativa esdrúxula de mostrar da maneira mais didática possível que piratas realizam motins.

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É perceptível que Frank E. Flowers tente remar contra a maré a fim de não repetir elementos batidos em filmes de piratas, tentando, assim, atribuir uma identidade própria ao seu longa-metragem. Há, no entanto uma necessidade, mesmo que mínima, de abraçar um clichê para, pelo menos, provar que O Refúgio é um filme que fala a respeito da pirataria no século XIX. Visualmente confusa, provida de elementos que nos fazem questionar a época na qual a narrativa se passa, a paupérrima identidade visual do filme em nada se sobressai. A violência inicialmente chamativa é mal empregada ao longo da projeção e disfarçada com efeitos computadorizados ou cenas noturnas, a intensidade das lutas é afetada por uma edição apressada, as locações se resumem à ilha quase sem habitantes – que mais parece um cenário construído sem bases ou estudos de objetos, embarcações ou costumes sobre localidades caribenhas da época que o filme se passa – e a direção de fotografia, que poderia ser promissora, se vê frustrada pela excessiva quantidade de filtros escuros e sombras que dificultam a compreensão de algumas sequências de ação que já sofrem com coreografias repetitivas e a montagem que transforma a imagem em farelos.

Imagem: Prime Video

É difícil acompanhar Priyanka Chopra e Karl Urban tirando leite de pedra para fazer seus personagens totalmente desprovido de algo relevante ou interessante. Os artistas desempenham seus respectivos papeis como podem e até subvertem o texto ruim e os diálogos vergonhosos com sua presença e espírito, carregando o filme inteiro nas costas.

Afogado no desinteresse da própria produção em gerar um conteúdo com personalidade, carisma e entretenimento, O Refúgio é uma desperdício de elenco e potencial, pertido no mar revolto de produções algorítmicas, que necessitava de, pelo menos, um capitão com conhecimentos notáveis para traçar uma rota de navegação que não levasse a produção para lugar nenhum.

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