dom, 5 abril 2026

Crítica | O Urso

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A realização de um ambiente frenético dentro da ficção não é uma tarefa fácil. Existe uma certa maestria na produção do frenesi imparável dentro e fora da narrativa para que mesmo durante esse caos, o espectador consiga acompanhar o que está acontecendo em tela. O Urso é uma série que abraça essa bagunça barulhenta tanto em sua temática quanto na ambientação, entregando tal maestria impressionante para os olhos de quem começa a assistir.

A série nos apresenta Carmen Berzatto, vivido por Jeremy Allen White, um chefe de cozinha renomado que vai para a cidade de Chicago devido ao falecimento do seu irmão, Michael, que deixou em seu testamento para o irmão um restaurante desorganizado, cheio de dívidas e problemas de infraestrutura.

O frenesi de O Urso começa nos entregando a mesma sensação que Carmen sente ao chegar em Chicago, o impacto barulhento e volátil do restaurante é refletido na própria narrativa. Ao longo de cada episódio, tal caos vai ganhando uma forma mais clara, para tanto nós quanto os personagens entendermos o ambiente de desorganização e aprendermos a navegar por ele. O frenético ainda está lá, sendo que agora é familiar e navegável.

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O Urso quebra a expectativa dramática sobre uma série de cozinha, a sua temática abraça a busca por rede de apoios, luto e esgotamento. Por meio de Carmen e dos funcionários do restaurante, vemos conflitos que entregam uma enorme sinceridade por parte do elenco. As atuações de Allen White como protagonista convencem e emocionam, o jovem chef que às vezes se demonstra inseguro e respeitoso pela sua cozinha carrega com eficácia o protagonismo da série.

Mesmo fugindo de padrões de séries de restaurantes ou de busca pela grandiosidade, é visível ao longo dos episódios como a comida se torna uma forma de expressão artística dos personagens. Arte essa que conta do luto, seja de Carmen pelo seu irmão, seja dos funcionários por estarem enfrentando uma situação completamente nova enquanto sentem a falta do antigo normal. 

No fim, O Urso é uma série sobre relações profissionais, como viajar em meio ao caos e uma contemplação do caos como tema, os elementos da série funcionam como uma cozinha, um ambiente que à princípio só vemos a desorganização e bagunça, mas com o passar do tempo começamos a compreender as engrenagens que nela existe e assim nos sentindo confortáveis na existência desse caos.

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