dom, 5 abril 2026

Crítica | Peaky Blinders: O Homem Imortal

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Após 4 anos desde a última temporada da famosa série Peaky Blinders, seu idealizador, Steven Knight, retorna como roteirista e mente criativa para o que promete ser o capítulo final da franquia como conhecemos. Para isso ele reúne rostos conhecidos como Sophie Rundle (interpretando Ada Shelby), Packy Lee (como Johnny Dogs) e, é claro, Cillian Murphy, principal símbolo da série, no papel de Thomas “Tommy” Shelby. Juntam-se ao time, novos personagens vividos por Barry Keoghan, Rebecca Ferguson e Tim Roth.

Isolado, Thomas Shelby deixou para trás seu legado como líder dos Peaky Blinders e agora vive uma vida de eremita, ele não aceita receber visitas, nega-se a voltar para casa e carrega nos ombros o peso das mortes de familiares e amigos. Assombrado por literais fantasmas do passado, ele busca conforto na rotina pacata e na escrita. O longa se mostra genuinamente interessado em explorar os demônios que atormentam esse homem moldado pela violência, seja da guerra ou da vida de gangster. A câmera fechada em closes no rosto do protagonista nos obriga a olhar para a dor em seus olhos; já em outros momentos, observamos de longe sua presença, com a imagem desfocada, como se ele também fosse um espectro, ou alguém impossível de se enxergar nitidamente.

Com a chega da Segunda Guerra Mundial, propagação de ideologias nazistas e um novo Peaky Blinder fora de controle, Thommy Shelby é visto, por seus conterrâneos, como a última esperança para endireitar as coisas. O culto em torno de sua imagem faz como que receba o apelido de Rom Baro, rei de seu povo, aguardado tal qual um messias bíblico que solucionará todos os problemas. Se na série ele já assumia um papel central, no filme ele ganha o protagonismo de um super-herói, com direito a uma cena à la Batman de troca de figurino, se transformando em um verdadeiro vigilante. A fotografia, inclusive, reforça essa ideia por meio de planos escuros com um foco de luz em seu rosto. Quando re-assume seu posto, é recebido como um Deus entre os homens, as cenas do bar e dele passeando de cavalo enquanto estende a mão aos populares ansiosos por cumprimenta-lo como se estivessem diante do papa ou outro líder religioso, consagram a importância desse personagem dentro e fora daquele universo, transformando-o em um símbolo marcado no imaginário coletivo.  

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O maior acerto do filme é assumir a pompa breguíssima que popularizou a série e tornou-se seu principal traço, os tiroteios e explosões grandiosos, personagens andando lentamente, os diálogos solenes e melodramáticos sobre família e, principalmente, as frases de efeito “by order of the Peaky Blinders” (por ordem dos Peaky Blinders) e “in the bleak midwinter” (no meio do inverno sombrio). Por outro lado, perde forças quando finge ser um estudo profundo sobre as dores de um homem atormentado pela guerra ou quando tenta emplacar um pseudo-romance desinteressante e sem química – que culmina na comparação de uma personagem nova sem nenhuma relevância para a mitologia da série, com uma das mulheres mais icônicas do projeto, forçando uma possível “passagem de coroa” de forma nada orgânica. Também compromete o bom andamento da obra, a repetição exaustiva em torno de algumas informações, como a morte de um certo personagem que precisa ser justificada mais de uma vez e confessada detalhadamente em duas ocasiões diversas, tanto para explicar sua ausência, quanto para enfatizar a solidão e culpa do protagonista.

O filme parece um episódio estendido da série, o que deve agradar aos fãs mais tradicionais, sem que isso necessariamente comprometa tanto sua qualidade, já que o autor consegue trabalhar em volta dessa trama mais episódica, se aproveitando do carisma de personagens queridos pelo público que despertam, por si, o interesse de quem assiste. O Homem Imortal é um bom encerramento para franquia, se concluindo sem deixar pontas soltas, nem tampouco fechar de forma definitiva todas as portas para possíveis continuações futuras.    

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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