Após comandar uma operação fracassada, uma policial jurada de morte se afasta de São Paulo em busca de segurança e da retomada dos laços com a filha, que atua numa ONG como médica e é raptada no interior do Pará por garimpeiros ilegais. Essa é a sinopse oficial de Rio Sangue, novo filme do diretor Gustavo Bonafé (O Doutrinador) com Giovanna Antonelli (Apaixonada), Alice Wegmann (Rensga Hits!), Felipe Simas (Tremembé), Antônio Calloni (Faroeste Caboclo) e grande elenco.
A produção dirigida por Bonafé aposta suas fichas em uma trama que mistura de drama familiar e ação para contar uma história de redenção em meio à violência. O que funciona bem, na maior parte do tempo. O enredo tem um clima dos filmes de ação dos anos 90, onde a jornada do protagonista é tão importante quanto os confrontos físicos. No filme, temos drama, perseguições, emboscadas e reviravoltas que mantêm o ritmo ágil da trama. O grande problema é que nem todos os elementos dessa proposta funcionam com o mesmo impacto.
O filme acerta ao criar tensão com as situações, mesmo que um ou outra não sejam tão orgânicas. As cenas de tiroteio carecem de força e realismo, destoando da intensidade que a história exige. Já os combates corpo a corpo ocorrem de um modo mais realista. Porém, o maior problema é no aprofundamento da relação entre as protagonistas da trama. Ele quase não existe e o desenvolvimento desse problema nunca é feito, pelo menos não de modo satisfatório.

Se o roteiro não agrega, as atuações resolvem o problema com as grandes atuações de Giovanna Antonelli e Alice Wegmann. Antonelli entrega uma protagonista cansada e repleta de culpa, que já perdeu demais, mas ainda insiste em lutar. Já Wegmann constrói uma personagem que simboliza esperança e resistência. Além delas, Felipe Simas e Antônio Calloni entregam vilões intrigantes.
Outros destaques da história estão na ambientação e na fotografia do projeto. O filme olha para o Norte do Brasil, não apenas como pano de fundo exótico, mas como parte essencial da narrativa. Alguns aspectos da cultura local e a realidade do garimpo ilegal e suas consequências são abordados com louvor. A fotografia usa a luz natural para reforçar a imersão. As paisagens são captadas com crueza e beleza, criando um contraste interessante com a violência da história.
Rio de Sangue funciona melhor quando abraça seu lado mais direto: ação, emoção e personagens movidos por instinto. Quando tenta ir além, revela algumas limitações. No geral, a produção é uma boa pedida e está repleta de ótimas atuações.


