
Em #SalveRosa uma jovem chamada Rosa (Klara Castanho) é uma influenciadora de 13 anos que produz conteúdo infantil para uma rede de mais de 2 milhões de seguidores. Por trás dos posts e das câmeras, a vida da jovem é exaustiva, num ritmo de trabalho fora do comum controlado por sua mãe superprotetora Dora (Karine Teles). Obsessiva e onipresente, Dora gerencia todos os passos da filha, desde a dieta até a presença digital da adolescente, revelando uma relação sombria e sufocante marcada por mistérios. Depois de sofrer um desmaio na escola, Rosa investiga seu passado, que parece esconder segredos estranhos. A descoberta acaba colocando não apenas a relação com sua mãe em risco, como a própria vida da adolescente.
A produção dirigida por Susanna Lira (Mussum, Um filme do Cacildis) apresenta uma história que é impossível de não associar diretamente ao caso Bel Para Meninas, que expôs os perigos da superexposição de menores nas plataformas digitais. Assim como na vida real, o filme aponta para uma engrenagem que vai além de um único vilão: um sistema inteiro que naturaliza a exploração sob o verniz do “entretenimento infantil”. A mensagem sobre essa situação é atual, bastante relevante e junto com as atuações de Klara Castanho (De Volta ao 15) e Karine Teles (Que Horas Ela Volta?) são os pontos altos desse suspense nacional.

O início do filme começa como um drama familiar e evolui com um tempo para um suspense psicológico. As cores e os tons são alegres e funcionam como filtros que escondem a verdade sobre a vida real da jovem. Com o tempo, vamos vendo as manipulações da mãe, que começam de modo sutil e vão evoluindo para uma constante vigilância, que deixa a sensação de que a jovem nunca fica realmente offline.
O roteiro escrito pela dupla Mara Lobão (Tudo por um Pop Star) e Ângela Hirata Fabri (Perfekta: Uma Aventura da Escola de Gênios) tem altos e baixos. Os personagens coadjuvantes por mais talentosos que sejam acabam não podendo fazer muito, pois eles são o que são e não tem nenhum deles tem um aprofundamento em suas motivações ou na sua relação com as protagonistas, o que dificulta o envolvimento sentimental do espectador com a personagem de Klara Castanho, restando apenas o bom senso de quem assiste, para entender que as situações onde a protagonista está inserida, são absurdas e repugnantes.
No fim, o filme assume um tom de denúncia é abandona as facetas de drama e suspense. Essa falta de definição no seu tom gera alguns problemas narrativos. As situações que levam a descobertas soam forçadas e artificiais, como os sorrisos dados a cada vídeo gravado. Além disso, diversas questões soam estranhas de serem críveis. Mas nada disso atrapalha o objetivo central da obra.
No fim das contas, #SalveRosa se torna um filme necessário. Pela denuncia e pela reflexão que pode gerar. Em tempos, onde as redes sociais estão em alta e a fama surge cedo é importante mostrar que a vida real acontece quando a gente desliga a câmera.


