sáb, 4 abril 2026

Crítica | Super Mário Galaxy: O Filme

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O mundo do cinema demorou anos, até décadas, para se encontrar com o universo dos jogos, alcançando um resultado minimamente satisfatório. Foram inúmeras adaptações e tentativas de recriar nas telonas as histórias que fizeram sucesso nos consoles, com alguns êxitos ao redor do mundo, mas sempre marcadas por certa inconstância. Desde o lançamento e o sucesso de ‘Sonic: O Filme’ (2020), essa relação parece ter atingido seu ápice junto ao público e à crítica. Três anos depois, em 2023, foi lançado ‘Super Mario Bros.: O Filme’ (2023), dirigido por Michael Jelenic e Aaron Horvath, um verdadeiro sucesso de crítica e, disparadamente, o filme inspirado em jogos de maior bilheteria, arrecadando US$ 1,3 bilhão. Com esse resultado, o anúncio de uma sequência era inevitável. Com um elenco estrelado por Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black e, agora, com a adição de Brie Larson, o novo filme traz de volta às telonas a dupla de encanadores italianos.

Após o sequestro da Princesa Rosalina, Bowser Jr. continua tentando reconstruir o império do pa, enquanto a Princesa Peach, Mário e Luigi correm contra o tempo para salvá-la.

Acho que o maior ponto positivo dessa sequência é manter a ideia de “gameficação” do universo Mário, não apenas nas referências diretas e indiretas ao jogo e a outros jogos clássicos da mesma época, mas numa lógica de “fases” dentro da narrativa e da sua decupagem, especialmente nesta última. Porém, se essa é uma virtude, especialmente para quem é mais velho e teve contato com os jogos clássicos, a forma como ela é posta em prática no cinema acaba sendo meio conturbada dentro da própria história. A tradicional estratégia narrativa de, pelo grande número de personagens na obra, separar a aventura em núcleos distintos, porém isso acaba deixando maçante toda a experiência, como se fosse uma fase chata de um jogo. Ainda se mantém visualmente bonito, é uma estética que realmente deu certo e atingiu um público bom no filme anterior e acaba expandindo nesse, até pela trama se passar em mais mundos ainda. Ainda que, igualmente, essa estética acabe se esvaziando apenas pela beleza em determinados momentos, em que é deixado tudo de lado apenas para isso. Acredito que funciona melhor dentro da lógica da obra quando essa explosão visual está atrelada no estabelecimento daquele mundo, por exemplo, como em cenas mais cômicas ou mais dietas de conflito. 

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Créditos: Universal Pictures Brasil/Illumination

Além disso, há uma sensação constante de que o filme hesita entre abraçar de vez sua natureza episódica ou se comprometer com uma progressão dramática mais fluida. Em alguns momentos, a montagem parece operar quase como um “teleporte emocional”, saltando de um núcleo a outro sem permitir que o peso das ações realmente se assente totalmente. Isso compromete não o ritmo e o envolvimento do espectador com os personagens, que acabam funcionando mais como avatares atravessando cenários do que como figuras com trajetórias consistentes. O melhor exemplo disso é como é muito mal explorado a relação entre as princesas Peach e Rosalina, em que toda a história de fundo e a profundidade da nova personagem daquele universo se resume apenas a um flashback de alguns segundos. É curioso porque enquanto o filme entende perfeitamente a lógica do videogame e suas etapas (avanço, desafio, recompensa), ele tropeça ao traduzir isso para uma linguagem cinematográfica que parece o tempo todo estar implorando para ter um respiro em uma narrativa recheada, mas sem muito por trás.  No fim, fica a impressão de uma aventura que diverte no instante, aquelas curtas risadas da dupla principal, mas que, tal qual uma fase jogada no modo fácil, se dissipa rápido assim que termina. O público infantil, com toda a certeza, vai dar o retorno de bilheteria e vai ser agradado com esse filme, que deve ganhar uma continuação também.

‘Super Mário Galaxy: O Filme’ ainda é uma opção boa de entretenimento os mais novos, mas perde bastantes qualidades do primeiro investindo em uma gamificação mais complexa, com mais personagens, mais cenários, mas sem dar profundidade àqueles que mostrou priorizar dentro do próprio filme.

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Rui Filho
Rui Filhohttp://estacaonerd.com
Recifense, cinéfilo e estudante de Cinema desde 2020, graduando em Publicidade e Propaganda. Apaixonado por arte, amante dos esportes, curioso sobre tudo e sempre em busca de algo novo para assistir.
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