Na trama, baseado em fatos reais, Ewan Horrocks interpreta Helmuth Hübener, um adolescente alemão que confronta uma verdade terrível: ser leal ao país agora significa servir a uma mentira. Quando seu bispo exige obediência ao regime opressor vigente e seu amigo judeu é levado por soldados, ele precisa decidir o que realmente significa ser um bom cidadão.
Verdade & Traição parte de um dos dilemas morais mais potentes do cinema: o conflito entre o dever e a consciência individual. O tema relevante é apresentado com respeito e sobriedade pela direção de Matt Whitaker (Santos e Soldados). A reconstrução de época é cuidadosa, a fotografia aposta em tons frios que refletem o clima de que algo está errado e o roteiro acerta ao apresentar o ambiente onde o protagonista está inserido.

Mesmo assim a produção é comum. A virada na jornada do protagonista surge do nada e a produção é limitada, apresentado caminhos dramáticos previsíveis. A narrativa sempre vai por um caminho seguro e tudo parece muito calculado, o que pode tornar a jornada cansativa de se ver.
Isso não significa que o filme seja ruim, longe disso. Mas por mais que seja competente e envolvente, já vimos essa narrativa e falta ousadia. As atuações são seguras cumprem seu papel informativo sobre os fatos.
Verdade & Traição é um filme que merece ser visto, especialmente por seu valor histórico e por sua mensagem sobre coragem moral em tempos de opressão. Mas também é um exemplo de como boas intenções e execução sólida nem sempre são suficientes para fazer um filme memorável.


